Entrevista de emprego: sete perguntas que sempre voltam
29/08/2026 · 3 min de leitura
Entrevista não é interrogatório e não existe resposta certa decorada. Mas algumas perguntas se repetem tanto que vale entender o que elas investigam — porque quase sempre a pergunta feita não é a pergunta real.
1. "Fale um pouco sobre você"
O que investigam: se você consegue se organizar e priorizar sob pouca estrutura.
Não é convite para biografia. Comece pelo presente profissional, passe rápido pelo histórico relevante e termine no motivo de estar ali. Dois minutos. Se começar pela infância, você já perdeu o primeiro round.
2. "Por que você quer trabalhar aqui?"
O que investigam: se você pesquisou ou está disparando currículo no escuro.
É a pergunta com a maior diferença entre quem se preparou e quem não se preparou, e a mais fácil de resolver: dez minutos no site da empresa bastam. Cite algo concreto — um produto, um mercado em que ela atua, uma característica do trabalho — e conecte com o que você faz.
3. "Qual seu maior defeito?"
O que investigam: autoconhecimento e honestidade, não o defeito em si.
"Sou perfeccionista" e "trabalho demais" já foram ouvidas mil vezes e soam como esquiva. Escolha uma limitação real, de preferência já em tratamento: "tenho dificuldade em dizer não e já me sobrecarreguei por isso; passei a negociar prazo em vez de aceitar tudo de imediato".
Cuidado só para não escolher um defeito que inviabiliza a vaga.
4. "Por que você saiu do último emprego?"
O que investigam: como você fala de quem não está na sala.
Falar mal do chefe anterior é o erro mais caro da entrevista inteira — quem ouve pensa imediatamente em como você falará dela depois. Seja factual e curto. Demissão, corte, fim de contrato, busca por outra coisa: tudo isso é normal e não precisa de defesa longa.
5. "Onde você se vê em cinco anos?"
O que investigam: se você vai embora em seis meses.
Ninguém espera um plano detalhado. Espera-se que a direção que você aponta tenha alguma relação com a vaga. Se a resposta sincera é "em outra área", não minta — mas fale do que quer desenvolver, não do que quer abandonar.
6. "Qual sua pretensão salarial?"
O que investigam: se sua expectativa cabe no orçamento.
Chute alto demais te elimina; baixo demais te desvaloriza pelo resto da negociação. Pesquise a faixa da função na sua região antes. Se for possível, devolva a pergunta uma vez: "qual a faixa prevista para a posição?". Se insistirem, dê um intervalo em vez de um número fechado.
7. "Você tem alguma pergunta?"
O que investigam: interesse real.
"Não, acho que está tudo claro" é a resposta que mais custa vagas. Leve duas ou três perguntas prontas:
- Como é medido o bom desempenho nessa função nos primeiros seis meses?
- Por que a posição está aberta — é substituição ou vaga nova?
- Como funciona o dia a dia do time?
O que vale mais que qualquer resposta pronta
Chegar no horário. Saber o que a empresa faz. Ter lido a descrição da vaga. Fazer perguntas. Nada disso exige talento — exige preparação, e é exatamente o que separa a maioria dos candidatos.
E se travar numa pergunta, é permitido pedir um instante para pensar. Silêncio de três segundos incomoda menos que resposta atropelada.